As famosas 13 sobremesas

  • © Atout France / Michel Angot

As famosas 13 sobremesas

No Natal de Provença todos partilham a alegria da « grande ceia », refeição leve, sem carne, mas copiosa, do dia 24 de Dezembro, que termina com as famosas 13 sobremesas. 

 
A grande ceia
 
A grande ceia, logo após o « cacho-fio », é uma refeição leve, mas depende de uma verdadeira encenação.  A mesa é posta com três toalhas sobre as quais colocamos simetricamente três velas que lembram a Trindade; é enfeitada com pequenos buquês com bolas vermelhas, algumas vezes com rosas de Jericó e trigo de Santa Bárbara. O pão cerimonial fica no centro

A mesa é o elemento principal da sala. Ocupa o centro e é recoberta de ornamentos que têm todos um valor simbólico. As « três toalhas » brancas que cobrem a mesa e as três velas lembram a Trindade. Os trezes pães que acompanham a refeição lembram a cena com os doze apóstolos e Jesus. Assim também as treze sobremesas, que a tradição trouxe até nossos dias. Elas podem ser colocadas desde o início, juntamente com o vinho, em sinal de abundância para que a mesa fique repleta.

O Natal é a festa da Caridade, por isso um lugar é reservado à mesa para um desconhecido, é o “lugar do pobre”. Dizia-se que era destinado à alma dos mortos da família, que era convidada para a festa.
 
Preparava-se sete pratos leves para lembrar « as sete chagas de Cristo ». Na véspera de Natal exige jejum e abstinência de carne até à noite, por isso a refeição é leve mas copiosa. Essa abundância é sinal de presságio de prosperidade. Parece que havia um ou dois pratos tradicionais por cidade, o que explica a grande diversidade das refeições de Natal. Não encontramos um « cardápio padrão », mas variedades conforme as regiões. Em geral a ceia de Natal é adaptada aos recursos da região ou às possibilidades locais, por exemplo entre a Provence marítima e a rural.
 
Nas cidades e nos vilarejos do litoral encontramos, evidentemente, peixe fresco (enguia, atum, dourado, bacalhau), enquanto na Provence do interior predominam os legumes (espinafre gratinado com alho e cheiro verde, alcachofra, aipo cru com anchovas, abóbora...). Na montanha provençal, o prato tradicional são os « crouzets », macarrão em tiras, também chamado de “crouiches” ou “crouizes”.
A abundância dos pratos de Natal contrasta com o quotidiano, mas eles permanecem simples quanto à sua preparação.
 
As 13 sobremesas:

Tradição que surgiu em 1920, as 13 sobremesas utilizam os produtos da região provençal e são saboreadas após a missa da meia-noite. Actualmente, é o costume mais conhecido e mais respeitado durante as festas de Natal. Conforme a região e as famílias, cada um dá-lhe o seu toque pessoal.

Entretanto, alguns elementos permanecem indispensáveis:
 
O gibacié: especialidade marselhesa, chamada fougasse no interior e pompe de óleo no litoral. É uma panqueca de farinha cozida com azeite e flor de laranjeira. Essa sobremesa é comida na véspera de Natal e na Epifania.
 
Os nougats brancos e pretos: os dois tipos de nougat são feitos com mel, amêndoas e açúcar. Para fazer o nougat branco e cremoso, basta acrescentar à mistura claras em neve, e cozinhar cada ingrediente separadamente. Já o nougat preto é crocante e de cor castanho.
 
Os quatro mendigos: simbolizam as 4 grandes ordens mendicantes, em referência à cor das vestes dos monges (Carmelitas, Dominicanos, Franciscanos e Capucinos): as amêndoas representam a ordem Dominicana, as uvas passas a ordem dos Agostinhos, os figos os Franciscanos e as avelãs a ordem Carmelita.
 
Os frutos e os doces se misturam conforme o gosto: maçãs, peras, uvas, laranjas, melões de inverno, tangerinas, ameixas, tâmaras, geleia ou pasta de pêra, marzipan, compotas de frutas, ameixas, “panade” (sopa de pão fervida com água ou leite), “pompe” ao óleo etc.

As especialidades de cada cidade vêm juntar-se aos pratos tradicionais: tortas da Haute Provence, panade de Santa Cecília (torta de maçã) e biscoitos das montanhas da Provence, ou bolos secos de pinhão no litoral.
 
O vinho acompanhava, claro, a ceia de Natal. Eram de três tipos:
o vinho velho, da propriedade da família, o vinho claro e o vinho cozido. A refeição é concluída com um « ratafia » da casa (licor feito da maceração de frutos, flores e plantas).
 
O Natal é ainda uma festa única na Provence, evocação do passado e dos ancestrais, uma experiência inesquecível para penetrar o coração dos provençais.

 

Para mais informações:
www.crt-paca.fr