Um fim de semana em Paris no Diário da Pikitim

  • Torre Eiffel

    Torre Eiffel

    © Diario da Pikitim

  • Pont des Arts

    Pont des Arts

    © Diario da Pikitim

  • Festa da Música

    Festa da Música

    © Diario da Pikitim

  • Mural "Je t'aime" Place des Abesses

    Mural "Je t'aime" Place des Abesses

    © Diario da Pikitim

Um fim de semana em Paris no Diário da Pikitim Paris fr


A culpa foi daquele livro, grande e vermelho, de poucas palavras e muitas ilustrações. E do seu título, simples e apelativo: “Isto é... Paris”. Os guias de viagem do ilustrador checo M. Sasek têm estes efeitos colaterais. Fazem viajar miúdos e graúdos, obrigam-nos a atentar em pormenores e a sonhar com paisagens. A Pikitim, do alto dos seus cinco anos, e já habituada a andarilhar com os pais por alguns recantos do globo, ficou fascinada. Era a cidade da Torre Eiffel, o monumento a cuja silhueta ninguém fica imune. E era a cidade da Notre-Dame e do Quasimodo que conheceu nos filmes da Disney (talvez um dia chegue a conhecer o Victor Hugo, também), dos bairros que parecem casas de bonecas, e dos gatos. O Thomas O'Malley e o gang dos gatos vadios, mais a Duquesa e os seus três filhos (Toulouse, Berlioz e Marie) andaram a passear-se por aqueles telhados. Faltava dizer-lhe que em Paris também havia um “bairro dos artistas” e um local como Montmartre, onde estão muitos pintores a fazer desenhos na rua e, a partir daí, ficou impaciente. A Pikitim queria meter-se num avião para Paris logo no dia seguinte.


Não é difícil motivar uma criança para ir conhecer uma grande cidade – e nem é preciso falar em parques de diversões. Muito menos, se a cidade em causa for a cidade-luz. Estava decidido. As próximas páginas do Diário da Pikitim iriam receber os desenhos de Paris. 


Foram pouco mais de 72 horas. Planear qualquer roteiro de viagem implica escolhas, e tratando-se de Paris essa tarefa fica dificultada, tal a amplitude da oferta. Mas tem uma vantagem acrescida: teríamos a certeza de conseguir desenhar um roteiro que satisfizesse a curiosidade e o gosto não só da criança, mas também dos seus pais. Porque é verdade: a capital francesa é interessante para miúdos e graúdos e é um excelente destino para viagens em família.


Desenhamos um roteiro com muitos passeios a pé, que nos deixasse ser surpreendidos com as montras, as padarias e os cafés que não estão elencados em nenhum guia. O passeio a pé mais demorado foi reservado para toda a área de Montmartre. Pensamos num passeio em bicicleta, aproveitando as sugestões da empresa Paris à Velo c'est Sympa, que nos levou pelos percursos da Paris Insolite e, claro, num passeio de barco, para cruzar o Sena e nos deixarmos impressionar pelas fachadas dos imponentes edifícios e nos surpreendermos com a beleza da Ile de St Louis e a sua marcante Notre-Dame. Pensamos também em um – apenas um! - dos muitos museus interessantíssimos que a cidade oferece – e a escolha recaiu sobre o incrível Museu D'Orsay. Ainda houve tempo para a aceitar a sugestão de fazer um percurso num pequeno comboio turístico, que nos levou até ao Marché Aux Puces, e que veio a calhar numa manhã de domingo em que a chuva não convidava a grandes passeios a pé. A última manhã que tínhamos na cidade foi reservada para uma subida à Torre Eiffel. 


As expectativas foram largamente superadas, e deixamos o relato detalhado de cada uma destas atividades num post entitulado Paris com crianças: um roteiro para 72 horas no Diário da Pikitim, o blog onde mantemos todos os registos das viagens que fazemos em família. Nós, os pais, somos os responsáveis pelo registo eletrónico. Já a petiza faz a sua parte, desenhando os momentos mais marcantes das suas viagens: e isso tanto pode ser os muitos concertos e espetáculos que se multiplicavam pelas ruas e praças da cidade, como o desenho dos artistas a pintar na praça de Montmartre. E a Torre Eiffel, claro. Foi a atração que nos consumiu mais tempo para concretizar a visita – já que são sempre milhares os visitantes que a ela acorrem, a qualquer hora do dia. Mas aqui não há tempos aborrecidos nem crianças a fazerem birras, porque quereriam estar a fazer outra coisa qualquer. Subir à torre é uma emoção para qualquer um – mais ainda para os miúdos a partir dos seis anos, que podem aceitar as regras do jogo enunciadas pelo Gus, a mascote da Torre Eiffel, e partir à descoberta dos “mistérios” da torre, seguindo uma linha amarela e procurando os textos com ilustrações e curiosidades sobre a construção e o seu autor.


Apesar de ser uma enormíssima cidade, Paris deixa-nos com a sensação de que é possível sentir a vida num ambiente de bairro e o seu charme dos tempos antigos. Apesar de estar apinhada de turistas, 365 dias por ano, permite-nos dividir as emoções num carrossel que tanto nos mostra a vivacidade de uma cidade moderna e cosmopolita como nos revela os palcos onde se fez história e se continuam a viver tradições. Foram 72 horas que serviram para engrossar as nossas certezas: há em Paris (e, talvez, por toda a França) um “art-de-vivre” que contagia e comove. 


A Pikitim ainda não tem idade para compreender isso na sua dimensão. Mas já se emocionou com a sonoridade da língua francesa: enchia a boca para pedir uma baguette ou um pain aux chocolat. E lá admitiu que, mesmo entre as línguas de todo o mundo inscritas num mural perto da Place des Abesses (e onde perdeu meia hora a encontrar o Eu Amo-te em português), o “je t'aime” tem uma das sonoridades mais bonitas. Paris, je t'aime. E as páginas do seu diário vão ajudá-la, mais tarde, a lembrar-se porquê.

 

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